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O artigo que resumimos hoje é uma importante meta-análise intitulada “Association between SLCO1B1, apolipoprotein E and ABCG2 genes and lipid response to rosuvastatin: a meta-analysis”. Acesse o artigo original aqui:

A Rosuvastatina é uma das estatinas mais prescritas no mundo para o controle do colesterol e prevenção de doenças cardiovasculares. No entanto, cardiologistas frequentemente se deparam com um cenário intrigante: pacientes que tomam a mesma dose apresentam resultados drasticamente diferentes. Enquanto alguns atingem as metas de LDL rapidamente, outros parecem “resistentes” ao tratamento ou, pior, desenvolvem efeitos colaterais severos. Uma nova meta-análise publicada em 2026 na Pharmacogenetics and Genomics lança luz sobre esse fenômeno, confirmando que a resposta não está na força de vontade do paciente, mas em seu DNA.

A Tríade Genética: SLCO1B1, APOE e ABCG2

O estudo, que compilou dados de mais de 6.000 pacientes, focou em como variantes em três genes específicos alteram a eficácia da Rosuvastatina:

  1. SLCO1B1 (O Transportador Hepático): Este gene codifica a proteína OATP1B1, responsável por transportar a estatina do sangue para dentro do fígado, onde ela deve agir. O estudo confirmou que variantes neste gene (como a c.388A>G) influenciam diretamente a redução do LDL.
    • Implicação Clínica: Se o transportador funciona mal (devido a variantes como a c.521T>C), a estatina não entra no fígado eficientemente. Isso reduz a eficácia terapêutica e, crucialmente, deixa mais medicamento circulando no sangue, aumentando drasticamente o risco de miopatia (dores musculares, câimbras) e rabdomiólise.
  2. APOE (O Metabolismo Lipídico): O gene APOE determina como metabolizamos gorduras. O estudo mostrou uma hierarquia clara: portadores do alelo E2 tiveram a maior redução de LDL e aumento de HDL. Já os portadores do alelo E4 apresentaram a pior resposta à droga.
    • Implicação Clínica: Pacientes com genótipo E4 podem precisar de doses maiores ou terapias combinadas desde o início, evitando a perda de tempo com doses padrão ineficazes.
  3. ABCG2 (A Barreira Intestinal): Este gene regula o quanto de medicamento é absorvido ou “jogado fora” pelo intestino. Variantes que reduzem a função deste gene (como a c.421C>A) levam a uma maior absorção da droga, resultando em maior redução de LDL, mas também maior exposição sistêmica e risco de toxicidade.

Conclusão e Futuro da Prescrição

Os achados são claros: a prescrição “tamanho único” para Rosuvastatina é obsoleta. A variabilidade genética nos genes SLCO1B1, APOE e ABCG2 não afeta apenas se o colesterol vai baixar, mas também a segurança do paciente. Identificar essas variantes antes da prescrição permite ao médico ajustar a dose ou escolher outra classe medicamentosa, protegendo o paciente de efeitos adversos e garantindo a proteção cardiovascular mais rápida.

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