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O artigo que resumimos hoje é muito especial, por se tratar de um estudo observacional (análise multicêntrica com sequenciamento de exoma e anotação farmacogenômica) feito por pesquisadores do Brasil. Acesse o artigo original aqui, publicado na Frontiers em 1/3/2026 (acabou de sair!!0 e intitulado: Prevalence of actionable pharmacogenomic variants in Brazilian patients with cancer.

Contexto e objetivo

Variantes farmacogenéticas podem alterar exposição ao fármaco, resposta terapêutica e risco de toxicidade. Apesar da ampla evidência em consórcios internacionais, a prevalência de variantes acionáveis em populações latino-americanas — particularmente no Brasil, com forte miscigenação (ancestralidade europeia, africana, ameríndia e, em menor proporção, asiática) — ainda é subcaracterizada. Este estudo teve como objetivo estimar a frequência e a distribuição fenotípica de farmacogenes clinicamente relevantes em pacientes brasileiros com câncer, focando em câncer de mama HER2+ e câncer de próstata metastático, para dimensionar o potencial de implementação de PGx na prática oncológica.

Metodologia

Foram incluídos 452 pacientes recrutados em 19 centros no Brasil (259 com câncer de mama HER2+ e 193 com câncer de próstata metastático). Foi realizado sequenciamento de exoma, e as variantes foram interpretadas com PharmCAT, seguindo critérios e anotações de ação clínica alinhados ao CPIC. Foram reportados genótipos, alelos star e fenótipos preditos em 15 genes (metabolizadores, transportadores e outros genes com ação clínica). O estudo também estimou ancestralidade genética global, relevante para contextualizar frequências em uma população miscigenada.

Principais achados e resultados

O achado central é a altíssima prevalência de ação clínica potencial: 99,33% dos participantes apresentaram ao menos um fenótipo farmacogenômico acionável. Em termos de genes/variantes específicas, observaram-se frequências relevantes em transportadores e genes de metabolismo com impacto conhecido em seleção/dose de fármacos:

  • ABCG2 rs2231142 (alelo T, função reduzida) em 8,96%.
  • VKORC1 rs9923231 (alelo T) em 32,63%, marcador classicamente associado à variabilidade de dose em antagonistas da vitamina K (relevância conceitual para o ecossistema PGx, ainda que não seja “oncologia pura”).
  • SLCO1B1 com função normal predominante (63,11%), mas com 21,11% exibindo função reduzida, reforçando potencial para evitar toxicidade relacionada a alguns fármacos dependentes desse transportador (especialmente no contexto amplo de polifarmácia).
  • Nos CYPs, a distribuição fenotípica mostrou, por exemplo, CYP2C19 com maior frequência de metabolizadores normais (45,35%) e CYP2C9 com 70,51% de metabolizadores normais, enquanto CYP2B6 apresentou predominância de metabolizadores intermediários (43,02%) e CYP3A5 foi majoritariamente pobre/intermediário (93,79%) — um padrão coerente com a variabilidade esperada de expressão e alelos funcionais do CYP3A5 em diferentes ancestrais.
  • Em genes ligados a tiopurinas, NUDT15 e TPMT mostraram predominância de diplótipos normais (92,92% e 88,72%, respectivamente), mas com presença de alelos não funcionais, sustentando o argumento de que PGx pode prevenir toxicidades graves em subgrupos.
  • UGT1A1 apresentou ~37% de alelos de função reduzida, achado potencialmente importante em fármacos com glucuronidação relevante.
  • Variantes clinicamente relevantes em DPYD e RYR1 foram raras (<2%), mas, do ponto de vista de segurança, mesmo baixa prevalência pode justificar estratégia dirigida quando o risco individual é alto (dependendo do fármaco e cenário).

Conclusões, implicações e força da evidência

A conclusão é clara: em pacientes brasileiros com câncer, existe alta probabilidade de encontrar achados PGx acionáveis, indicando que a adoção de PGx pode ter impacto real em segurança, efetividade e potencialmente em custos evitáveis (eventos adversos, internações, troca de terapia). A força do achado de prevalência é alta (amostra multicêntrica, N=452, análise padronizada), mas a aplicabilidade clínica direta por fármaco depende de como cada serviço traduz esses fenótipos em protocolos e da disponibilidade de painéis que cubram genes críticos (com destaque para a limitação: CYP2D6 não foi avaliado por limitações técnicas do exoma).

O teste farmacogenético da ConectGene é o painel mais confiável e completo do Brasil (por só trazer informações com nível A e B de evidência), por analisar, além dos medicamentos mencionados e genes estudados neste artigo, outros importantes nos tratamentos em Oncologia, Cardiologia, Psiquiatria e Controle da Dor.

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