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O artigo que resumimos hoje é uma revisão narrativa publicada na revista Pharmaceuticals (2023) intitulado "Insight into Risk Factors, Pharmacogenetics/Genomics, and Management of Adverse Drug Reactions in Elderly: A Narrative Review" é uma revisão narrativa abrangente conduzida por pesquisadores da Universidade de Catânia, Itália. Acesse o original aqui.
Sua relevância reside no fato de abordar um dos maiores desafios da medicina contemporânea: a segurança do paciente idoso. Revisões deste tipo são fundamentais para consolidar o estado da arte sobre reações adversas a medicamentos (RAMs), integrando conhecimentos de farmacocinética clássica com as fronteiras da farmacogenômica. Para o clínico, o estudo oferece uma base teórica sólida para a transição de uma prescrição baseada em "tentativa e erro" para uma medicina de precisão.
2. Principais aspectos abordados
O estudo investiga os fatores que contribuem para a alta incidência de RAMs em idosos, com foco nos seguintes pilares:
- Polifarmácia e Multimorbidade: O artigo define a polifarmácia (uso de 5 ou mais medicamentos) como um fator de risco crítico, exacerbado pela presença de múltiplas doenças crônicas que complicam o regime terapêutico.
- Alterações Fisiológicas: São discutidas as mudanças farmacocinéticas e farmacodinâmicas inerentes ao envelhecimento, como a redução da função renal e hepática, que alteram a concentração e a resposta aos fármacos.
- Variabilidade Farmacogenética: Um ponto central é a influência de polimorfismos genéticos (especialmente nas enzimas do complexo CYP450) na resposta individual. O texto detalha como variações nos genes podem levar a fenótipos de metabolizadores lentos ou ultrarrápidos, impactando diretamente a toxicidade ou a falha terapêutica.
- Interações Complexas: O artigo introduz conceitos avançados como as Interações Droga-Droga-Gene (DDGIs) e o fenômeno da fenoconversão, onde o estado metabólico de um paciente é alterado não apenas por sua genética, mas pela inibição ou indução enzimática causada por outros medicamentos em uso.
3. Conclusão
A síntese final do artigo reforça que a prevenção de RAMs em pacientes em polifarmácia exige uma abordagem multifacetada. A farmacogenética emerge como uma ferramenta indispensável para a individualização do tratamento, permitindo prever riscos antes mesmo da primeira dose.
Os autores concluem que a integração de testes farmacogenéticos, aliada ao uso de ferramentas de suporte à decisão clínica e revisões periódicas da medicação (desprescrição), é o caminho para garantir que a polifarmácia seja gerida com eficácia e, acima de tudo, segurança, reduzindo hospitalizações e melhorando a qualidade de vida da população idosa.
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