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Custo-efetividade em saúde é uma análise econômica que compara duas ou mais intervenções para determinar qual oferece o melhor resultado clínico (efetividade) pelo menor custo possível.
O artigo que resumimos hoje é uma análise de custo-efetividade feito por pesquisadores do Canadá (British Columbia). Acesse o artigo original aqui.
Contexto e Objetivo
O estudo avalia a custo-efetividade da implementação de testes farmacogenéticos (PGx) para guiar a prescrição de antidepressivos em pacientes adultos com transtorno depressivo maior (TDM) moderado a grave na província de British Columbia (BC), Canadá.
(Parêntesis do autor do resumo: A Colúmbia Britânica, província mais ocidental do Canadá, ocupa uma área de 944 mil km² na costa do Pacífico, com paisagens dominadas por montanhas Rochosas, florestas densas e o litoral da Ilha de Vancouver. Sua população de cerca de 5,5 milhões de habitantes é altamente diversificada, com forte presença de imigrantes asiáticos e indígenas, concentrada em Vancouver, o maior centro urbano. Economicamente, destaca-se pela exportação de madeira, minerais, gás natural e frutos do mar, além de setores emergentes como tecnologia, cinema e turismo. Essa mistura de ambientes urbanos densos e regiões rurais remotas oferece um contexto populacional variado, ideal para estudos de saúde pública que capturam diferenças socioeconômicas e ambientais).
Resumo
Testes farmacogenético para identificar variações em genes que influenciam o metabolismo de antidepressivos podem aumentar a eficácia e reduzir os efeitos adversos da farmacoterapia para o transtorno depressivo maior. O estudo buscou estabelecer a relação custo-benefício da implementação de testes farmacogenéticos para orientar a prescrição de antidepressivos.
Métodos:
Foi utilizado um modelo de microssimulação em tempo discreto dos percursos de cuidados para transtorno depressivo maior na Colúmbia Britânica, Canadá, para avaliar a eficácia e a relação custo-benefício dos testes farmacogenéticos sob a perspectiva do financiador público ao longo de 20 anos. O modelo incluiu características únicas dos pacientes (por exemplo, fenótipos metabolizadores) e utilizou estimativas derivadas de revisões sistemáticas, análises de dados administrativos (2015–2020) e julgamento de especialistas. Estimamos os custos incrementais, os anos de vida e os anos de vida ajustados pela qualidade (QALYs) para uma coorte representativa de pacientes com transtorno depressivo maior na Colúmbia Britânica.
Resultados:
A implementação de testes farmacogenômicos na Colúmbia Britânica para pacientes adultos com transtorno depressivo maior moderado a grave apresentou uma previsão de economia de US$ 956 milhões (US$ 4.926 por paciente) para o sistema de saúde, além de ganhos em saúde equivalentes a 0,064 anos de vida e 0,381 QALYs (anos de vida ajustados pela qualidade) por paciente (totalizando 12.436 anos de vida e 74.023 QALYs ao longo de 20 anos). Essa economia foi impulsionada principalmente pela redução ou prevenção da transição para depressão refratária (resistente ao tratamento). O cuidado guiado pela farmacogenética foi associado a uma redução de 37% no número de pacientes com depressão refratária ao longo de 20 anos. Análises de sensibilidade estimaram que os custos dos testes farmacogeéticos seriam compensados em cerca de dois anos após a implementação.
Interpretação:
Estimou-se que os testes farmacogenéticos para orientar o uso de antidepressivos trariam benefícios para a saúde da população, ao mesmo tempo que reduziriam substancialmente os custos para o sistema de saúde. Esses resultados sugerem que os testes farmacogenéticos oferecem aos sistemas de saúde uma oportunidade para um investimento significativo que agrega valor.
O TDM impõe alto ônus econômico e de qualidade de vida, com taxas de resposta inicial a antidepressivos de 40-60% e efeitos adversos em ~27% dos casos, levando a depressão refratária (resistente a ≥2 tratamentos) em proporção significativa. O PGx identifica variações genéticas que afetam o metabolismo de antidepressivos (fenótipos metabolizadores: lento, intermediário, normal, rápido, ultrarrápido), visando personalizar a terapia e reduzir falhas terapêuticas.
Conclusão
A depressão maior é comum, recorrente e um dos principais fatores que contribuem para os custos e encargos com saúde no Canadá e em outras jurisdições, sendo que essa incidência tem aumentado, especialmente desde a pandemia de COVID-19. Intervenções que possam melhorar as taxas de remissão e reduzir o número de casos de depressão refratária, em particular, são necessárias para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir o impacto econômico da depressão maior em sistemas de saúde já sobrecarregados.
O modelo SiMMDep representa uma infraestrutura analítica para o atendimento clínico da Depressão Maior no Canadá, com foco em orientar melhorias na eficácia, eficiência e equidade dos percursos de atendimento para a Depressão Maior. As análises aqui apresentadas apontam para o teste farmacogenético, direcionado a adultos com Depressão Maior moderada a grave, oferecendo a oportunidade de um investimento significativo e rentável por parte dos sistemas de saúde. O teste farmacogenético, direcionado dessa forma, tem o potencial tanto de reduzir custos quanto de melhorar os resultados de saúde.
O teste farmacogenético da ConectGene é o painel mais confiável (por só trazer informações genéticas com nível A e B de evidência científica) e completo (maior número de medicamentos analisados) do Brasil. Além dos medicamentos estudados neste artigo, analisamos fármacos importantes nos tratamentos em Oncologia, Cardiologia e Controle da Dor.
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